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ACIDENTES COM CRIANÇAS

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Nesse post iremos abordar um tema muito comum em pediatria: acidentes e traumas.

Você sabia que os acidentes são responsáveis por 23.000 mortes/ano em menores de 19 anos. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 4000 menores de 14 anos morrem vítimas de trauma e 117.000 são hospitalizadas somente na rede pública de saúde.

No Brasil, os acidentes domésticos infantis são causas crescentes de mortalidade e invalidez, sendo uma importante causa de morte a partir de um ano de idade. Cerca de um terço desses óbitos refere-se a acidentes de transporte, afogamentos, asfixias, agressões e quedas.

90% dos acidentes poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção!

A maior proporção desses acidentes ocorre em ambiente domiciliar.

O grupo infantil é o mais susceptível, uma vez que possuem uma menor percepção de risco e maior vulnerabilidade/dependência. Fatores como sexo, idade, etapa de desenvolvimento (imaturidade física e mental, inexperiência, incapacidade para prever/evitar situações de perigo, curiosidade, tendência a imitar comportamentos adultos, falta de noção corporal/espaço, falta de coordenação motora) e características da personalidade são os principais motivos da alta incidência de acidentes nessa faixa etária.

img_mz_ovarios A faixa etária de maior ocorrência de acidentes é entre 2-5 anos!

Entre 1-9 anos destacam-se acidentes de transporte (passageiros e bicicletas), sendo essa a primeira causa de mortalidade nessa faixa etária no Brasil e no mundo. Daí a importância do uso de cadeirinha de transporte e equipamentos de segurança (capacete, joelheiras, etc.).

O domicílio é o principal local de ocorrência dos acidentes/violências na infância, sendo primordial a atenção para riscos ambientais como tapetes soltos, pisos molhados, móveis com quinas, vidros, janelas/berços sem proteção, camas elevadas, brinquedos espalhados, brinquedos pequenos que podem ser introduzidos como corpo estranho, objetos perfuro cortantes, fogão, medicamentos/produtos de limpeza, animais domésticos, etc. Dessa forma, é de suma importância a supervisão contínua, que deve ocorrer sem que isto interfira no desenvolvimento das crianças, sempre estimulando as descobertas de forma segura e supervisionada.
A melhor forma de lidarmos com esses números assustadores é a prevenção primária, ou seja, evitando que os acidentes ocorram para que não tenhamos que lidar com suas consequências que vão desde a morte até sequelas para toda uma vida.

Seguem abaixo as particularidades de cada faixa etária:

 Faixa Etária Característica Tipos de Acidentes Como Evitar
0-1 ano
  • Fragilidade
  • Sufocação
  • Queda
  • Transporte em cadeira adequada (de costas para o motorista);
  • Não compartilhar cama;
  • Não deixar a criança sobre uma superfície alta e sem proteção;
  • Não tomar sozinha a mamadeira (risco de engasgo e aspiração);
  • Não usar andadores;
  • Não deixar ao alcance objetos de risco (ex.: medicações, vidro, objetos pontiagudos, etc.);
  • Não segurar a criança próxima a substâncias quentes (ex.: fogão, café, cigarro, etc.);
  • Não incentivar contato com animais desconhecidos.
2-4 anos
  • Curiosidade
  • Inconsequência
  • Acidentes de trânsito
  • Afogamentos
  • Queimaduras
  • Quedas
  • Usar redes de proteção/portões;
  • Tapetes antiderrapantes;
  • Não deixar cabos das panelas virados para fora do fogão;
  • Protetores de tomadas;
  • Limitar acesso a banheiros/lavanderia;
  • Não deixar baldes/bacias com água de fácil acesso (risco de afogamento);
  • Cadeira de carro apropriada;
  • Medicamentos/produtos de limpeza/bebidas alcóolicas fora do alcance;
  • Ensinar medidas educativas como subir escadas degrau a degrau, uso de capacete;
  • Não deixar a criança sozinha andando na rua/calçada.
5-9 anos
  • Influenciáveis
  • Habilidades motoras abaixo do julgamento crítico
  • Acidentes de trânsito
  • Afogamentos
  • Queimaduras
  • Quedas
  • Usar redes de proteção/portões;
  • Tapetes antiderrapantes;
  • Cadeira de carro apropriada;
  • Não deixar a criança sozinha andando na rua/calçada.
10-14 anos
  • Vulnerabilidade
  • Pressões sociais
  • Liberdade
  • Sensação de ser inatingível
  • Acidentes de trânsito
  • Afogamentos
  • Queimaduras
  • Quedas
  • Seja o modelo do seu filho;
  • Estimule a responsabilidade através do manejo das consequências de suas ações;
  • Ensinar as sinalizações de trânsito;
  • Não permita/facilite acesso a armas de fogo, bebidas alcoólicas, drogas lícitas/ilícitas.

Devemos sempre lembrar que crianças não são adultos em miniaturas e que elas têm suas particularidades. Conforme a faixa etária não possuem noção de perigo e consequências de suas atitudes, cabendo a nós adultos educá-las, protegê-las e direcioná-las.

A criança tem uma menor tolerabilidade à lesão!

A gravidade da lesão depende da capacidade de absorção de energia do corpo: quanto menor o corpo menor essa capacidade.

 

Este material tem objetivo puramente informativo e não isenta a necessidade de consulta a profissional capacitado e habilitado.

Referências bibliográficas:

1. Waksman RD, Freitas GG. Panorama da mortalidade por acidentes em crianças e adolescentes no Brasil. Pediatra Atualize-se. Novembro/2017, Ano 2(6), 4-6. ISSN 2448-4466.

2. Malta DC, Mascarenhas MDM, Neves ACM, SMA. Atendimentos por acidentes e violências na infância em serviços de emergências públicas. Cad. Saúde Pública [Internet]. 2015 Maio [citado 2017 Dez 11]; 31(5): 1095-1105. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2015000500020&lng=pt. http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00068814.

3. World Health Organization. World report on child injury prevention. Geneva: World Health Organization; 2008.

4. Waksman RD, Gikas RMC, Blank D. Prevenção de acidentes na infância e adolescência. São Paulo: Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente; 2009.