Consultório (19) 3231-1954 / 3231-2886 / 3234-9915 contato@marianazorron.com.br
img_mz_amamentar

Amamentar ou não amamentar?

Amamentar não é apenas alimentar o filho, a amamentação é um ato de amor da mãe para com o seu bebê, que possibilita um vínculo materno-infantil muito importante e permite uma série de benefícios para a mãe e para a criança.

Através do leite materno a criança recebe todos os nutrientes necessários para seu crescimento e desenvolvimento saudáveis, além de também receber fatores protetores que auxiliam na imunidade e de ser de fácil digestão.

Incialmente ocorre a produção do colostro que aos nossos olhos parece ser um leite mais “fraco” devido à sua coloração mais clara, porém é essencial salientarmos que este leite é rico em proteínas e fatores protetores (anticorpos) extremamente importantes para os primeiros dias de vida do recém-nascido, principalmente no caso de prematuros, cujas mães apresentam por um período mais prolongado a produção do colostro.

Durante a mamada o leite também sofre um processo de mudança, inicialmente o leite é rico em imunoglobulinas (proteção) e no final (leite posterior) é rico em gordura.

Em meados da década de 1980 publicaram-se os primeiros estudos demonstrando a importância da amamentação exclusiva, que contribuíram juntamente com outros estudos realizados em diversos países para a reformulação das políticas internacionais sobre o aleitamento materno.

Atualmente recomenda-se a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade e a manutenção da amamentação como alimentação complementar até os 2 anos de idade, pois sabe-se que o leite materno contém todos os nutrientes necessários para o adequado desenvolvimento neuro-psicomotor e pôndero-estatural das crianças.

Não existem intervalos corretos para a amamentação do bebê, ela deverá ocorrer no que denominamos de regime de livre demanda, ou seja, o seio materno deve ser oferecido sempre que solicitado pela criança.

A introdução precoce de água, chás, sucos e outros alimentos pode significar um aumento no risco de doença devido à contaminação dos mesmos. Além disso, o uso de mamadeiras faz com que o bebê engula mais ar, proporcionando desconforto abdominal pela formação de gases (cólicas), e confusão de bicos, dificultando a pega correta da mama e aumentando os riscos de problemas ortodônticos e fonoaudiológicos.

Há evidências de que, tanto em países em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos, a amamentação proteja as crianças contra infecções dos tratos gastrintestinal e respiratório, sendo maior a proteção quando a criança é amamentada de forma exclusiva e por tempo prolongado.

Com relação aos efeitos de longo prazo, crianças amamentadas apresentaram médias mais baixas de pressão sanguínea, de colesterol total, e de diabetes tipo 2, assim como melhor desempenho em testes de inteligência.

Por outro lado a introdução precoce de alimentação complementar pode propiciar ao bebê alergias alimentares devido ao sistema imunológico/barreira intestinal imaturos dos lactentes jovens, favorecendo, dessa forma, a penetração de alérgenos e o aparecimento de alergias.

Já para a mãe existe uma relação positiva entre amamentar e apresentar menos doenças como o câncer de mama, certos cânceres ovarianos e algumas fraturas ósseas por osteoporose. Outros benefícios para a mulher que amamenta são o retorno ao peso pré-gestacional mais precocemente e o menor sangramento uterino pós-parto e consequentemente, menos anemia, devido à involução uterina mais rápida provocada pela maior liberação de ocitocina.

Caso a mãe necessite se ausentar por alguns períodos existe a possibilidade da ordenha do leite materno, que deve ser armazenado num recipiente de vidro com tampa de plástico previamente esterilizados em água fervente por 5 minutos. Esse leite ordenhado pode ser armazenado em geladeira por 12 horas e no congelador por 15 dias (não deve ser colocado na porta do refrigerador). Para descongelá-lo basta aquecê-lo em banho maria (não pode ser descongelado no micro-ondas e não deve ser fervido!!!). A oferta do leite ao bebê deve ser realizada em copo ou xícara pequenos para que não haja a confusão de bicos.

É muito importante lembrarmos que existem os bancos de leite humano que auxiliam no processo de amamentação e recebem doação de leite humano. Informe-se, você poderá ajudar uma mãe e um bebê com sua doação!!!

Para mais informações existem várias cartilhas de orientação sobre amamentação (técnicas e conceitos) que podem ser acessadas através de vários sites, dentre eles:

http://www.redeblh.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=384

e

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf

Referências Bibliográficas: 

1. Toma TS, Rea MF. Benefícios da amamentação para a saúde da mulher e da criança: um ensaio sobre as evidências. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 24 Sup 2:S235-S246, 2008.

2. Rea MF. Os benefícios da amamentação para a saúde da mulher. Jornal de Pediatria – Vol. 80, Nº5(supl), 2004.

3. Amamentação – Perguntas frequentes respondidas por especialistas. Disponível em < http://www.unifesp.br/centros/ciaam/faq.htm>. Acesso em: 9 de março de 2014.