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Atividade física para criança. O quê e quando fazer?

A atividade física é muito importante para o ser humano em geral e portanto deve ser estimulada em todas as faixas etárias, devendo-se sempre atentar para as particularidades de cada fase do crescimento e desenvolvimento somático/psicológico.

A prática desportiva aperfeiçoa a coordenação motora, estimula o metabolismo ósseo, melhora a capacidade cardiorrespiratória, melhora o humor, além de proporcionar o desenvolvimento de força muscular, resistência, flexibilidade e de prevenir complicações de comorbidades futuras como a obesidade, hipertensão arterial, diabetes, cardiopatia isquêmica (aterosclerose/infarto), entre outras.

Além disso, estudos demonstram que crianças que praticam atividade física têm menos riscos de se tornar um adulto sedentário, o que proporcionaria um estilo de vida mais saudável na fase adulta, com consequente melhor qualidade de vida.

São raras as patologias que contraindicam a prática da atividade física, portanto incentive o seu filho(a) a praticá-la.  A atividade física é um instrumento de sociabilidade, melhora da autoestima, respeito às regras (limites), relacionamento em grupo, incentivo a lideranças positivas, senso de responsabilidade, empenho e disciplina, além de ser uma maneira de lidar com a vitória e a derrota (ensina-se a perder e não somente ganhar).

O lactente deve ter liberdade para se mover de acordo com o seu nível de desenvolvimento.
A partir dos 6 meses a colocação de um cercado permite à criança observar o ambiente, brincar e se apoiar para ficar de pé.

Com 10 meses a criança deve ter espaço para engatinhar e depois começar a andar com e sem apoio.

Entre os 2-5 anos a coordenação motora, bem como o equilíbrio e a capacidade de atenção seletiva ainda não estão completamente desenvolvidos.

Nos pré-escolares (4-7 anos) deve-se estimular atividades que possibilitem o desenvolvimento da coordenação motora de forma lúdica/infantil (através de jogos), como andar, correr, pular, subir e nadar.

É importante que todos os grupos musculares estejam envolvidos nessa faixa etária (4-7 anos). O direcionamento para um esporte específico pode ocasionar a privação de certos grupos musculares, o que não possibilitaria um desenvolvimento adequado da criança.

Toda a atividade física deve ser escolhida pelas crianças e adolescentes com o objetivo de prazer e não de resultados, deve ser divertida e relaxante. Os pais devem ter o cuidado de não influenciar seus filhos, pois nesse caso o grau de exigência é muito grande, o que muitas vezes é prejudicial para a prática da atividade e geralmente acaba gerando o abandono.

Resumindo, até os 5-7 anos são indicadas apenas práticas lúdicas, sem grandes cobranças.

Entre os 6-9 anos o equilíbrio já é maior, porém ainda apresentam dificuldade de decisões rápidas. Deve-se dar preferência a esportes com regras mais flexíveis, como por exemplo, futebol e natação.

Crianças até 11 anos de idade devem ter a liberdade de experimentar várias modalidades esportivas, sem obrigação de decidir por uma modalidade como definitiva.

Os adolescentes já apresentam uma melhor habilidade motora, porém com algum grau de desequilíbrio, devido à mudança de suas proporções corporais.

Os esportes de competição são indicados a partir da adolescência, pois há maiores riscos de lesões físicas (luxação, fratura, rompimento de ligamentos, entorses), desidratação (pelo calor) e sobrecarga psicológica.

É importante atentarmos que na adolescência existem indivíduos que se desenvolvem mais rapidamente do que outros, portanto precisamos respeitar a maturidade biológica de cada um, não levando em consideração apenas a idade cronológica.

Com relação à prática de musculação é essencial ter conhecimento do local onde ir-se-á treinar, pois o principal objetivo são os benefícios da prática desportiva como qualquer outra. Durante a infância e a adolescência a meta não deve, nem pode, ser a hipertrofia, dessa forma os movimentos devem ser de baixa amplitude e com pouca carga.

Até o término do crescimento, e principalmente na fase do estirão puberal, podem ocorrer micro fraturas na placa de crescimento caso ocorra a prática inadequada e indevida da musculação, prejudicando a estatura final desse indivíduo.

A participação e estímulo dos pais para a prática da atividade física é essencial para a criança/adolescente, lembrando-se que não se devem fazer cobranças excessivas. Perder faz parte da vida e é essencial que seus filhos aprendam a lidar com frustações.

Essa exigência e expectativa exageradas podem gerar um adulto com aversão a esportes ou até mesmo com transtornos de caráter.

A criança deve ter o direito de não ser um campeão. Deve-se entender que a criança não é um adulto em miniatura.

Aos pais cabe o papel de encorajar e estimular, ao professor/técnico de treinar na intensidade e frequência adequadas para cada faixa etária, respeitando sempre os limites individuais.

O uso de equipamentos de segurança adequados para cada faixa etária e para o esporte praticado é de suma importância para minimizar as possíveis lesões decorrentes da prática desportiva.

Por apresentarem uma menor sudorese, as crianças estão mais propensas à desidratação, portanto devem exercitar-se em locais ventilados como também apresentar uma adequada ingesta de água.

Recordemos sempre que uma alimentação saudável é indispensável para um desempenho adequado, que o uso de anabolizantes é prejudicial à saúde, e que os suplementos alimentares, tão em moda atualmente, não têm nenhuma eficácia comprovada.

 

Segue abaixo uma diretriz das indicações de atividade física indicadas para cada faixa etária:

 Idade Requisito Esportes
4 a 7 anos
6 a 8 anos habilidade Natação, corrida, salto, futebol, capoeira, surfe, danças, ginástica
10 anos velocidade Ciclismo, atletismo
Após o estirão do crescimento força Musculação, remo, fisiculturismo
Após os 13 anos - Competição

*Tratado de Pediatria/ Sociedade Brasileira de Pediatria. Editora Manole, 2007

1.     Esportes sim, mas com segurança! Waksman, D. R., Gikas, C. M. R. Disponível em http://comunidadespsp.wordpress.com/2014/03/05/esportes-sim-mas-com-seguranca/. Acesso em: 7 de março de 2014.

  • 2.     Gaspar, V.L.V. Segurança nos esportes. Disponível em < http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=21&id_detalhe=2892&tipo_detalhe=s>. Acesso em: 9 de março de 2014.