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Influência da microbiota intestinal na obesidade

Como já vimos no post anterior sobre obesidade o principal motivo para que ela ocorra é um desequilíbrio entre ingesta alimentar e gasto energético, resultando em acúmulo de gordura corporal que leva a um prejuízo da saúde.

Contudo, cada vez mais tem se falado da influência da microbiota intestinal sobre a obesidade. Este post trata exatamente dos aspectos dessa influência sobre a obesidade.

O trato gastrointestinal possui duas grandes funções: absortiva e protetiva. Para isso possui diversos mecanismos endócrinos, parácrinos, neurais e imunes.

Sabe-se que a microbiota prove vitaminas essenciais ao hospedeiro, é importante para o desenvolvimento efetivo do sistema imune, protege contra patógenos, além de possuir papel fundamental na disgestão de macronutrientes.

Existe uma complexa interligação entre microbita, dieta e hospedeiro, inclusive com evidências sugerindo a relação entre a microbiota e comportamento, como consumo alimentar e ansiedade.

Cada região do trato gastrointestinal contém uma população diferente de micróbios que é influenciada pela dieta.

A barreira intestinal é um sistema imunológico e de barreira física altamente regulada e sensível a estímulos internos e externos, como hormônios e nutrientes.

Há evidências de um aumento da permeabilidade intestinal em humanos e roedores obesos.

Com o aumento da gordura luminal através da dieta rica em gordura parece haver um desequilíbrio entre microorganismos benéficos e patogênicos, que levariam a uma função de barreira diminuída.

Prebióticos (fibras que aumentam o crescimento de microorganismos benéficos) podem ser uma maneira vantajosa para manipular essa microbiota. Um estudo sobre obesidade humana demonstrou que o aumento da ingestão de fibras na população obesa levou a uma diminuição do processo inflamatório.

Portanto, há evidências de um efeito benéfico de prebióticos e probióticos na mudança da microbiota intestinal, melhorando a função da barreira intestinal e reduzindo o peso corporal. Contudo, estudos em humanos ainda não alcançaram sucesso na perda de peso como visto em modelos de roedores.

O eixo microbiota-intestino-cérebro está idealmente preparado para nos ajudar a compreender as mudanças fisiológicas observadas na obesidade. Contudo, muitos questionamentos ainda permanecem sem respostas. Portanto, a relação entre obesidade, dieta e microbiota em humanos parece existir, todavia a relação de causalidade ainda está sendo estudada. Muitas descobertas ainda estão por vir!

Referências Bibliográficas:

1. Hamilton MK, Raybould HE. Bugs, guts and brains, and the regulation of food intake and body weight. Int J Obes Suppl. dezembro de 2016;6(Suppl 1):S8–14.

2. Sanz Y, Moya-Perez A. Microbiota, inflammation and obesity. Adv Exp Med Biol 2014; 817: 291–317.